Freud, Jung, Nise, Perry, DyoNises 2018, vem que tem.

Publicado por Vitor Pordeus em 5/6/2018

Neurose, Psicose e Saúde Mental Pública

Freud explicou e curou os neuróticos, conforme a experiência demonstrou. Sua teoria científica ainda é válida e definitiva neste campo de síndromes psiquiátricas, onde o campo da consciência do paciente está integro, o ego íntegro, íntegro até demais, rígido, autoritário, arrogante, inflexível e negativo, geralmente. Todo o perigo desta doença reside aí, na rigidez, na incapacidade de escutar, compreender a si próprio, de acolher, de se acolher, devido geralmente a história de trauma cultural, ideológico, sexual-de gênero e mais frequentemente violência psicológica no processo de educação. "O reprimido retorna" dizia o velho Freud.

Jung por sua vez trabalhando dentro de hospício com pacientes psicóticos descobriu fatores mitológicos, arquétipos, trens de ideias estruturadas em personagens e narrativas exemplares conservados através das gerações, que literalmente invadem o campo da consciência devorando a identidade e a autonomia do indivíduo, as síndromes psicóticas são marcadas por alta determinação social e econômica com dados que sugerem um genocídio da população mais pobre através da loucura e da rejeição social, a contribuição de Jung pode salvar essas vidas se aplicada com método como fizeram Nise, Perry e o Teatro de DyoNises com o ator Jaci Oliveira Peleziho alugando sua casa no último ano, Mirian Rodrigues segue atriz engajada há seis anos, e o Rei Reginaldo Terra que me disse da última visita antes de voltar a morar agora em Agosto: "espero até o fim do mundo você voltar do Canadá." Não há dúvidas, há falta de método e sinceridade na política pública de saúde mental. E ainda abriremos a gloriosa Theatron Klinik Therezinha Moraes na comunidade, reeditando a Casa das Palmeiras de Nise num modelo mais com espaço público e anamneses comunitárias.

Nise matou a cobra e mostrou o pau a elaborar método de promoção da saúde mental pública através da cultura e da arte aplicando o paradigma Junguiano mais uma vez com excepcional talento científico. Precisamos manter o método vivo, sair do Ego e cair na ação.
Nossa experiência agora internacional e com 9 anos de resultados positivos freneticamente compartilhados, publicados, comunicados, mostrou que as modificações do espaço e da relação do teatro são salvadoras de vida de síndromes de saúde mental consideradas as mais graves. E no Brasil-colônia-golpe de sempre ao invés de se investir publicamente e desenvolver tudo isso, e tirar a população do surto coletivo que está ceifando a maior taxa de homicídios do planeta e a ascendente mortalidade infantil, não, se sacrifica o povo e se é colonizado mais uma vez, mais holocausto racista, mais limpeza étnica. É psicose de massas. Carl Jung e sua linhagem científica, podem ajudar, ajudaram antes e continuam a ajudar, mas precisa de mais atenção pública neste médico e cientista pouco compreendido em nossos meios.