Só nossa honestidade conosco próprios pode nos salvar do auto-engano da ditadura.

Publicado por Vitor Pordeus em 20/4/2018

As instituições de sempre, a escola, a igreja, a universidade, o teatro, a televisão, a imprensa não sacaram que continuam propondo as mesmas pseudo-soluções que causaram o problema em que vivemos hoje.

As instituições de sempre, a escola, a igreja, a universidade, o teatro, a televisão, a imprensa não sacaram que continuam propondo as mesmas pseudo-soluções que causaram o problema em que vivemos hoje. Que falta criatividade e sobra vampirismo. Falta cooperação autêntica e sobre competição inconsciente, pessoas adoecidas lutando para revalidar, recriar, reconstruir o próprio problema que elas dizem querer resolver. É doença mental cultural e coletiva de manifestação individual, os discursos e as ações são sempre os mais confusos e contraditórios possíveis. Não há clareza, não há beleza, não há honestidade. Há uma feiúra confusa, agressiva, arrogante, que se compromete e trai, que diz que ama mas esquece que disse. Que prefere corromper e vulgarizar que cooperar autenticamente e dar continuidade aos próprios esforços, reconhecer e honrar a própria experiência.

As instituições de sempre seguem cooptando e corrompendo os mais jovens, incentivando a futilidade, a competição, a mentira nos resultados, a pose, a celebridade. As instituições vampirizam as comunidades e querem colocar a culpa nas comunidades pelo fracasso de seu próprio projeto institucional. E vão se nutrindo dos egos fascinados dos indivíduos que esquecem suas próprias comunidades e origens para dar o sangue até a morte para o vampiro da instituição que compra esse sangue com quantidades muito pequenas de dinheiro, pequenos salários, pequenos cachês que são sempre suficientes para garantir a cooptação ideológica, o vampirismo, a corrupção do gesto e da palavra, e assim produzimos nossa sociedade psicótica de massas que de tempos em tempos se organiza em nazismos, fascismos e ismos em geral para pilhar, destruir, e aniquilar o outro, que no ponto de vista da psicologia do inconsciente quer dizer aniquilar a mim próprio, à minha baixa auto-estima, à meu ego frágil servindo a propósitos ainda mais frágeis que se sustentam por força de fascinação do Diabo do dinheiro, a ferramenta simbólica de fascinação geral controlada pelas instituições de sempre.

Abra o olho. Veja as ações históricas. Veja as experiências continuadas. Premie a coerência, a clareza e a honestidade. Não a falsidade e a loucura. Olhe as histórias, as verdades nascem das histórias, coerência é fazer e falar, é sustentar a prática e a teoria, a ciência e a arte.

Por amor ao Brasil, e ao Brasileiro, abra o olho. Não aceite a mentirinha, a fofoquinha, o mal-dizer. Antes de mal dizer, é preciso saber o que afirmar, se você não afirma e só mal diz, pronto, já cai na cova do negativismo que é o caminho para progredir na carreira de doença mental. É esta energia que está predominando no mundo hoje. A energia negativa, a energia de eterna destruição, as sombras, a loucura.

Isso exigirá de todos e cada um um compromisso fundamental com a própria saúde mental e própria verdade nos gestos e nas palavras.

Se me deixo emgabelar na primeira fraudezinha que aparece, com pretensões vaidosas de crescer o ego montando no ego demoníaco da instituição, vai dar merda, sempre deu, durante todas as histórias da humanidade todos os Faustos acabaram no fundo do poço, na Hekatombe, na destruição total. Nós Brasileiros já temos números de saúde pública que nos sugerem um genocídio de mais de sessenta mil mortes evitáveis por ano, não consigo imaginar cenário de maior loucura.

Só nossa honestidade conosco próprios pode nos salvar do auto-engano da ditadura. Só seremos honestos se compreendermos nossa própria história, nossas origens, para saber por que e como ficamos assim, Brasileiros, e quais entre nós resolveram questões desta ordem de loucura e psicopatias graves por exemplo? Quais entre nós conseguiram desenvolver experiências sistemáticas no campo da medicina comunitária, da educação comunitária, da promoção de saúde mental verdadeira, não o pular de galho em galho, não o discurso salvacionista que prometa a salvação vinda de fora, já sabemos que a salvação, quando vem, vem de dentro.

E preste atenção no vampirismo. Preste atenção em tudo e todos que estão para fofocar, para distorcer, para vulgarizar, para corromper os gestos, as palavras e os significados das ações e das coisas. Já conhecemos estes caminhos e obviamente algo precisa mudar no Brasil se um dia, talvez, quem sabe, quisermos ter saúde mental.